ytasinger.tumblr.com

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

Certa vez Talyta Singer me desafiou: Propôs que eu delimitasse meu campo e objetos de estudo (neste caso a cibersocialidade em redes sociais na Internet) e transformasse o foco de minha pesquisa num conto infantil. A idéia era que, se eu tivesse sucesso no desafio, ou seja, que através do conto qualquer pessoa pudesse entender minhas buscas e resultados, além da importância de se fazer tal pesquisa, eu estaria trabalhando da maneira correta.

A idéia é ótima, e pensando agora, vou até postar meu conto um dia desses, né?

Contei isso para compartilhar com vocês o ultimo post do blog de Talyta, o “Mais um Login”, onde ela discute a forma de construção linguistica e de acervo de textos científicos. Vale a pena.

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[talyta singer – www.ytasinger.tumblr.com]

CIÊNCIA COM…

Tem muitas coisas da Universidade que eu (mesmo estando a seis longos anos por aqui) não consigo entender bem. Por exemplo:

Quem inventou essa linguagem dos textos científicos? É um código para que ninguém mais entenda? Não, não estou dizendo que todas as metalinguagens ou jargões sejam firula, mas é que a própria construção do texto e as normas da ABNT me parecem só tornar a coisa toda mais difícil.

Quem foi que disse que colocar aquela nota de rodapé minúscula no final da página ajuda a pessoa a não se desviar do texto central? Ou que as referência bibliográficas do tipo “SOBRENOME, Nome. O que falou. Quem publicou, Onde: Quando” ajuda a localizar melhor o autor?

Ontem eu precisava começar a fechar a metodologia da minha pesquisa mas esbarrei no Ciência com Consciência do Edgar Morin. E me permiti prorrogar por mais alguns dias a leitura nada empolgante sobre métodos.

Ainda não sai das primeiras 50 páginas, mas tô curtindo. Primeiro porque ele se tenta propor reflexões aos cientistas e às sociedades de pesquisa sobre o que é ciência. Morin ataca de frente a tendência a separação das ciências e a objetividade.

Na página 30: Hoje, há que insistir fortemente na utilidade de um conhecimento que possa servir à reflexão, meditação, discussão, incorporação por todos, cada um no seu saber, na sua experiência, na sua vida… Os princípios ocultos da redução-disjunção que esclarecem a investigação na ciência clássica são os mesmos que nos tornam cegos para a natureza ao mesmo tempo social e política da ciência, para a natureza ao mesmo tempo física, biológica, cultural, social, histórica de tudo o que é humano.

Nessa onda ele continua desenhando sobre a necessidade de autocrítica dos pesquisadores para avaliar o que é ciência e pontuando a ciência nada mais é do que os pesquisadores convencionam que é ciência (!).

E aí, ler o Morin (que definitivamente não estava no meu plano de estudos) ajuda bastante. Primeiro porque me ajuda a entender como os cientistas e pesquisadores pensam, ou pelo menos, formular uma teoria sobre. E isso me ajuda a desenhar argumentos para afirmar que o sistema de publicação e acesso a ciência precisa mudar.

Sim, precisa. Porque ninguém tem tempo sobrando pra procurar alguma coisa num acervo tipo esse.

[+] Uma pá de recortes do livro aqui.

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  1. Aê, Vitor. Valeu pela menção.
    Esse lance de transformar ideias científicas em metáfora infantis é uma proposta do Prof. Luiz Barco. Ele e alguns outros professores do Curso de Jornalismo Científico da UFMT estão insistindo nessa ideia.

    Na UFMT a questão fica sendo: onde publicar? Com linguagem travada ou infantil, esse tipo de texto não tem espaço institucional.

    Mas a gente vai criando os nossos.
    ˆˆ

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