Crie redes, não perfis.

[vitor torres teixeira – analista de redes sociais na Intenet]





Pera, pera, pera!
Tem alguma coisa muito errada!


Os últimos dias tem deixado minhas identidades na web um tanto quanto pertubadas. Tenho tido aquela sensação de que tem muita gente dentro da cozinha. E todo mundo acha que entende mais de tempero do que o outro. Inclusive eu. E desse jeito a comida nunca dá certo.


Deixe me explicar.


Falar sobre política e uso de dinâmicas em redes sociais na Internet nunca foi minha intenção primária. Tenho paixão pelo assunto “comunicação mediada pelo computador”, sempre com foco maior nas pessoas do que na tecnologia (apesar dos elementos serem complementares).


Mesmo assim, percebi que quando tocava no assunto, muita gente se envolvia, e vi na abordagem um espaço para tentar alcançar os valores de capital social cognitivos como autoridade e reputação. Era um bom caminho para minha construção identitária.


Mas a coisa cresceu mais do que eu esperava. E algo que me amedrontava está acontecendo muito rápido. Tem muita gente chegando de última hora, e estão fazendo suas abordagens pelo lado errado.


Primeira coisa – o básico: candidatos e assessores, a Internet, não se resume aos SITES de redes sociais.


Quando uma rede de computadores consegue conectar uma rede de pessoas, temos uma rede social. Isso significa que, qualquer ação proposta dentro da Internet caracteriza uma rede social. Essa interação está na essência da Web.


Mas o que me parece, é que os candidatos (e seus assessores, sempre) tem acreditado que fazer campanha na Internet é criar perfis em SITES de redes sociais, falar um monte (agora tá na moda dizer que quem atualiza é o assessor – coisa horrivel, como diria um amigo meu), seguir as mesmas pessoas com quem já interagem fora da internet, discutir assuntos com correligionários no twitter e achar que todo mundo que os seguem, se os seguem, é porque gostam daquilo que estão lendo…


(Amigo, a maioria das pessoas seguem centenas de outras pessoas e podem muito facilmente passar reto pela sua mensagem… Não preciso te dar um unfollow, porque é meio sem educação (rs), mas posso te ignorar tranquilamente… E se começar a me encher o saco, continuo não te dando um unfollow (rs), mas queimo seu filme pra todos os meu amigos.)


Segunda coisa:  Autoridade em Sites de Redes de Sociais não se mede por API´s como twitterrank, twitterlyzer ou twiterescambauaquatro. A quantidade de RT que dou, ou que dão para mim, não mede minha competência, mede, no máximo, o quanto eu consigo falar sem parar e o quanto interajo com pessoas que falam mais do que eu. Achar que essas ferramentas servem para alguma coisa é com certeza idéia de publicitártio (rs).


Por exemplo, para uma dessas ferramentas, o TwitteRank, a Sabrina Sato (@SabrinaSatoReal) é muito, muito mais influente no twitter do que o Pierre Levy (@plevy)…. ai meu deus….


O foco deve estar sempre no conteúdo! E seu perfil num site de rede social só serve para expor todas as suas outras atividades na rede. Postar 300 tweets num dia e não ter um blog, por exemplo, eu nem preciso comentar…


Terceira coisa: Aproveite a rede, a banda larga, e aproxime pessoas que te apoiam e que fisicamente não podem estar perto. Crie sua rede! Faça com que pessoas entrem na sua rede, produzam conteúdo, levem informações para seus perfis em sites de redes sociais, que trabalhem na campanha de rua por voluntariado. Exponha essa rede, deixe que as pessoas vejam como há muitas outras pessoas pensando junto, criando junto, pruduzido coletivamente… Todo mundo quer fazer parte do que é coletivo e funciona.


…E o que está acontecendo é que nenhum candidato matogrossense conseguiu, e nem vai conseguir, criar uma rede social.


Pior de tudo é saber que nós, brasileiros, somos os maiores consumidores mundiais de Sites de Redes Sociais.


Esses sites tem como principal caracteristica a controle de interação. Só podemos caminhar pelas estradas que os sistemas criaram. A limitação de atividades faz com que a produção coletiva fique ameaçada. Assim como a inclusão massiva de grandes veículos de comunicação, a criação de pequenos veiculos que se iludem com a fantasia de que estes espaços são horizontais e repetem velhas formulas comunicacionais e, agora, a inserção de assessores e comunicadores sem estudo e que encaram a Internet como um gigantesco tutorial ambulante que só se aprende na prática, são uma ameaça constante ao ciberespaço que tinha em sua essencia a reciprocidade e a sinergia.


Quarta coisa: A terceira coisa não vai acontecer.


Quinta coisa: Nós estamos “encaretando” a Internet….


Sexta coisa: Sim, eu tô falando de vc….


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  1. Adorei o artigo!! Mtu bom, parabéns!

  2. É… Um desabafo! rs. Bom,pra começar concordo com a maioria das colocações. Mas, acho que a terceira coisa pode vir a, de repente, acontecer, rs. Sou um pouco mais otimista nesse sentido. Suas análises são de alguém que está à frente nesse processo, por observá-lo, estudá-lo, tentar entendê-lo em suas origens e benefícios. A coisa é nova, as relações e sistemas de comunicação, velhos. E não existe coisa mais velha que repetir velhas fórmulas. Tá todo mundo navegando em águas, digo, espaços ainda desconhecidos. Sendo assim, ainda é digno de desabafo, sim, ver como as ferramentas poderiam ser utilizadas e ainda não são. A cozinha tá cheia e abafada, mas alguns vão conseguir aprender algumas coisas (falei que sou otimista). É o que cheguei a comentar outro dia…O espaço está aí e, embora ainda não tenhamos, maior parte, nos ajustado da melhor maneira a ele, existe um potencial, pq existe a oportunidade. Embora sejamos os maiores consumidores de sites de redes sociais do mundo, ainda falta aliar quantidade a qualidade. Se essas duas coisas, lá na frente, puderem começar uma caminhada conjunta, o cenário pode ganhar novos ares. Ai sim a internet poderá ser usada como um grande ‘meio’, para ‘fins’ diferentes fora dela. (E me desculpe se o tempero tenha destoado do prato princiapl, rs)

    • @vitortorres
    • 28 de junho de 2010

    Valeu pelos comments, meninas!

    e Thalita, vou tentar ser mais otimista, então. rs =]

    • Ângela Coradini
    • 29 de junho de 2010

    Concordo com você no terceiro ponto, Vitor. Acredito que isso possa ser tanto pela falta de conhecimento, não sobre a ferramenta de internet que podem ser facilmente apreendida pelos tutoriais, mas sim pela falta de entendimento de Rede. As rede sociais são off e on-line, muitas vezes aquelas que se formam on, passam a existir off, e as que eram off se apropriam das ferramentas de internet e se tornam on, expandem-se… Apesar do ter pouca propriedade para falar sobre as movimentações das eleições na internet, acredito que as redes também não serão formadas. Vejo apenas perfis e interações, como você mesmo disse. São laços assimétricos, um palanque onde o perfil do político derrama informações… Acredito que é preciso formar laços sociais multiplexos constituídos por diversas relações (estar em diversas ferramentas mas em convergência), estar conectado off e on, dar qualidade às conexões chegando ao capital social… E mesmo que tudo isso seja alcançado, que os políticos consigam fomentar as conexões, que contra o tempo as redes sejam formadas, ainda vejo uma questão: existirão depois de 03 ou 31 de outubro? rs.

  3. Assino em baixo da quinta e da sexta coisa.

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