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Privacidade é coisa de Eremita.

Inspirado pela minha apresentação realizada na última quarta feira durante o Intercom Nordeste (aliás, ao qual só tenho elogios – organizado e com ampla participação discente e docente) resolvi estender a mão a esse morimbundo blog e retirá-lo da sarjeta.

Durante minha fala, que fiz ao lado de Talyta Singer, percebi que “privacidade” ainda é um debate polêmico quando o assunto é Web. Levei para o congresso o tema “Filter Bubble” e fiz minhas considerações sobre privacidade, restrições e sistemas motores de busca. Os colegas se interessaram pelo assunto e uma dúvida recorrente, tanto depois da apresentação como nos encontros de corredor, era como escapar do tal “Filtro”. Para estes novos amigos encaminho esse link – aqui!. Clicando ali você irá acessar o site do livro The Filter Bubble, de Eli Pariser, especificamente na área em que o autos dá 10 dicas de como driblar as pré-definições do Google (e outros sistemas como Bing ou YouTube).

A junção dos temas Internet e privacidade cria um dos pontos mais controversos atualmente tanto para academia quanto para o mercado. E é assim no mundo todo. Prova disso é a quantidade de eventos e debates acontecendo só neste mês por todos os lados com essa temática.

Há dez dias, entre 9 e 10 de junho, aconteceu o Simpósio Hyper-Public, na Harvard University. E entre 14 e 16 deste mês, e dessa vez na Georgetown University Law Center, em Washington, D.C., aconteceu a A 21º conferência anual “Computers, Freedom and Privacy” (um detalhes, ambos os eventos contaram com a presença da pesquisadora Danah Boyd. Vale a pena conhece-la).s

No Brasil podemos visualizar a amplitude da discussão a partir do debate público postado no CulturaDigital.br sobre Proteção de Dados Pessoais. Outra dica e acompanhar as discussões pelas tags #dadospessoais #privacidade e #privacy.

Além de discussões e debates sobre as fronteiras da privacidade online, existem também instituições preocupadas em denunciar filtros e vigilâncias na web e assim defender usuário. Dois bons exemplos são a OpenNet Initiative e a Electronic Frontier Foundation.

E se você é como o Mark e concorda que a “era da privacidade acabou”, tudo bem. Tendo a concordar com vocês dois. Mas se você discorda ainda há algumas alternativas. O Projeto Tor é uma delas: através de uma rede de roteadores anônimos o Tor tem como objetivo proteger quem acessa a Internet contra a análise de tráfego e escapar da vigilância dos servidores. Uma boa opção para jornalistas conspiratórios não deixarem rastros e nem revelarem suas fontes.Outra saída é você cancelar suas contas no Facebook e Twitter e ter como única diversão na web ser colaborador de fóruns anônimos como indomável /b/ do 4chan (clicar aqui é por sua conta e risco).

Mas prepare-se para te chamarem de ermitão e chato.

(-:

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Crie redes, não perfis.

[vitor torres teixeira – analista de redes sociais na Intenet]





Pera, pera, pera!
Tem alguma coisa muito errada!


Os últimos dias tem deixado minhas identidades na web um tanto quanto pertubadas. Tenho tido aquela sensação de que tem muita gente dentro da cozinha. E todo mundo acha que entende mais de tempero do que o outro. Inclusive eu. E desse jeito a comida nunca dá certo.


Deixe me explicar.


Falar sobre política e uso de dinâmicas em redes sociais na Internet nunca foi minha intenção primária. Tenho paixão pelo assunto “comunicação mediada pelo computador”, sempre com foco maior nas pessoas do que na tecnologia (apesar dos elementos serem complementares).


Mesmo assim, percebi que quando tocava no assunto, muita gente se envolvia, e vi na abordagem um espaço para tentar alcançar os valores de capital social cognitivos como autoridade e reputação. Era um bom caminho para minha construção identitária.


Mas a coisa cresceu mais do que eu esperava. E algo que me amedrontava está acontecendo muito rápido. Tem muita gente chegando de última hora, e estão fazendo suas abordagens pelo lado errado.


Primeira coisa – o básico: candidatos e assessores, a Internet, não se resume aos SITES de redes sociais.


Quando uma rede de computadores consegue conectar uma rede de pessoas, temos uma rede social. Isso significa que, qualquer ação proposta dentro da Internet caracteriza uma rede social. Essa interação está na essência da Web.


Mas o que me parece, é que os candidatos (e seus assessores, sempre) tem acreditado que fazer campanha na Internet é criar perfis em SITES de redes sociais, falar um monte (agora tá na moda dizer que quem atualiza é o assessor – coisa horrivel, como diria um amigo meu), seguir as mesmas pessoas com quem já interagem fora da internet, discutir assuntos com correligionários no twitter e achar que todo mundo que os seguem, se os seguem, é porque gostam daquilo que estão lendo…


(Amigo, a maioria das pessoas seguem centenas de outras pessoas e podem muito facilmente passar reto pela sua mensagem… Não preciso te dar um unfollow, porque é meio sem educação (rs), mas posso te ignorar tranquilamente… E se começar a me encher o saco, continuo não te dando um unfollow (rs), mas queimo seu filme pra todos os meu amigos.)


Segunda coisa:  Autoridade em Sites de Redes de Sociais não se mede por API´s como twitterrank, twitterlyzer ou twiterescambauaquatro. A quantidade de RT que dou, ou que dão para mim, não mede minha competência, mede, no máximo, o quanto eu consigo falar sem parar e o quanto interajo com pessoas que falam mais do que eu. Achar que essas ferramentas servem para alguma coisa é com certeza idéia de publicitártio (rs).


Por exemplo, para uma dessas ferramentas, o TwitteRank, a Sabrina Sato (@SabrinaSatoReal) é muito, muito mais influente no twitter do que o Pierre Levy (@plevy)…. ai meu deus….


O foco deve estar sempre no conteúdo! E seu perfil num site de rede social só serve para expor todas as suas outras atividades na rede. Postar 300 tweets num dia e não ter um blog, por exemplo, eu nem preciso comentar…


Terceira coisa: Aproveite a rede, a banda larga, e aproxime pessoas que te apoiam e que fisicamente não podem estar perto. Crie sua rede! Faça com que pessoas entrem na sua rede, produzam conteúdo, levem informações para seus perfis em sites de redes sociais, que trabalhem na campanha de rua por voluntariado. Exponha essa rede, deixe que as pessoas vejam como há muitas outras pessoas pensando junto, criando junto, pruduzido coletivamente… Todo mundo quer fazer parte do que é coletivo e funciona.


…E o que está acontecendo é que nenhum candidato matogrossense conseguiu, e nem vai conseguir, criar uma rede social.


Pior de tudo é saber que nós, brasileiros, somos os maiores consumidores mundiais de Sites de Redes Sociais.


Esses sites tem como principal caracteristica a controle de interação. Só podemos caminhar pelas estradas que os sistemas criaram. A limitação de atividades faz com que a produção coletiva fique ameaçada. Assim como a inclusão massiva de grandes veículos de comunicação, a criação de pequenos veiculos que se iludem com a fantasia de que estes espaços são horizontais e repetem velhas formulas comunicacionais e, agora, a inserção de assessores e comunicadores sem estudo e que encaram a Internet como um gigantesco tutorial ambulante que só se aprende na prática, são uma ameaça constante ao ciberespaço que tinha em sua essencia a reciprocidade e a sinergia.


Quarta coisa: A terceira coisa não vai acontecer.


Quinta coisa: Nós estamos “encaretando” a Internet….


Sexta coisa: Sim, eu tô falando de vc….


Redes Sociais na Internet e as eleições 2010

[vitor torres teixera – agência laboratório]

 

 

Criei um perfil no Twitter para acompanhar as eleições matogrossenses nas redes sociais na Internet. O @mt_politica nasceu com a intenção de fazer análises sobre usos e dinâmicas de redes sociais por parte de nossos candidatos e apoiadores.

A questão é que, dentro dos espaços de campanha eleitoral no Mato Grosso, muito se fala sobre as eleições na Internet.  E muito do que é dito, percebo que é construído sem informação ou conhecimento aprofundado de caso. Fato é que em Mato Grosso nossos políticos não são grandes usuários de redes sociais, e me parece que pouco se importaram em estudar a rede antes de criarem suas identidades nela.

Porém, é correto afirmar que a Internet é intuitiva por essência na sua maneira de circulação, principalmente nas redes sociais. Mas, entrar na rede com comportamentos viciados de sistemas de distribuição hierárquicos pode trazer resultados contrários aos esperados pelos candidatos a cargos públicos no estado.

Digo isso, pois em minhas primeiras análises, ficou claro que os candidatos tem se comportado na rede (principalmente no Twitter) como se estivessem em um palanque com um microfone nas mãos, falando alto e se posicionando como centro das atenções. Isso está errado. 

Estar nas redes sociais na Internet é a oportunidade dos candidatos de estarem cara-a-cara com todos seus eleitores (ou parte deles, é claro). É poder atender a perguntas e sanar dúvidas, criar intimidade e se desfazer da imagem a tanto tempo estigmatizada dos políticos brasileiros, de distantes, inalcançáveis. É criar interesse por assuntos públicos, provocar em nossa juventude usuária assídua da Internet o interesse pela política.

Aqui, o espaço é para conversação e construção coletiva de informação. A quantidade ínfima de replys e principalmente links (nem vou entrar no mérito de quase não usarem outras redes sociais e linkar essas redes) enviados pelos três principais candidatos ao cargo de governador – @silvalbarbosa @mauromendesmt e @wilsonsantosws, comprova que eles provavelmente acham que estão falando para muitos e que as repostas não são imediatas (como se estivem na TV, por exemplo).

Outra análise fácil é sobre o tipo de assunto que os candidatos têm preferência na hora de suas postagens: falar sobre onde estão e o que vão fazer naquele dia (Ex 1, 2 e 3) ou tratar de assuntos genéricos. Alguém poderia avisá-los que na Internet a cauda é longa, e nossos posts precisam ter caráter mais segmentado para conseguirmos criar autoridade sobre o que estamos falando. 

Por exemplo: Quando um candidato for falar de educação numa rede social, não precisa postar informações sobre quantas escolas vai construir, ou sobre aumento de salários que vai providenciar. Para isso existe a TV, o rádio, o impresso. Fale sobre assunto que remetam a educação à tecnologia, fale sobre suas propostas de educação a distância, sobre sua opinião em relação a propriedade intelectual acadêmica.

Por que?

Simples: são assuntos que poderão trazer maior interesse para os formadores de opinião da rede, como blogueiros e twiteiros, os alfas das redes sociais. São assuntos que poderão circular com maior facilidade pela rede e serão distribuídos por aqueles que têm reputação em assuntos de cibersocialização. E são informações que serão repassadas por pessoas que já tem uma identidade construída e consolidada na rede.

Para finalizar, faço uma afirmação bombástica (rs): Internet, não vai ganhar eleição para ninguém!

Então, por que perder tempo e gastar força de trabalho nela? Já que podemos usar, vamos usar da melhor maneira. Vamos participar deste processo tentando inovar e não repetir fórmulas de comunicação. E, principalmente, a cibercultura já está aqui! Já é fato! Vai crescer cada vez mais!

Então, espero que nossos candidatos venham para ficar, que suas construções identitárias nas redes sociais na Internet feitas, aparentemente, para a campanha, façam parte de seus planos de governo, que tenham uma estratégia de continuidade. E que outubro não seja o ponto de chegada.

né?

Como criar reputaçao na Internet

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

Quais as vantagens do comentário aberto em blogs? Principalmente, produzir conteúdo colaborativo. Ao criar um post num blog, o autor deve se preocupar em iniciar uma discussão e contar com a colaboração de comentários dos leitores.

Com caracteristica de postagem em ordem cronológica, os comentários são uma extensão do texto principal. Dessa maneira a rede é construída de forma linear, não hierarquizada. Todos temos direito de voz na Internet.

É através também dos comentários que se formam redes de interesses comuns. Comentar posts de blogs parceiros é uma ação de reciprocidade, uma maneira de criar visibilidade para você e para a rede da qual faz parte. Pelos comentários se ganha reputação na Internet, delimita-se a autoridade em determinado assunto.

Os comments também são uma forma de conversação, de conhecer e se conectar as pessoas que buscam a interação mediada pelo computador. São pelas nossas opiniões armazenadas em comentários que construímos parte de nossa identidade na rede.

A abertura da possibilidade de comentários que se iniciou com os blogs, e se espalhou por fotologs e videologs é uma das grandes diferenciações da web 2.0. Desde então, não mais nos comportamos (ou éramos obrigados a nos comportar) como meros leitores de conteúdo broadcast, característica dos sistemas de massa, e reproduzidos na Internet por grandes portais. A informação que chega até nós, agora, é manipulável. Nossa opinião fica exposta junto a informação primária para que outros atores também possam interferir.

Você comenta? Comente.

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 5]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

leia a parte 1 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 2 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 3 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 4 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!

entender a qualidade das conexões e subsequente a isso compreender a formação das estruturas de uma rede social é preciso apreender a conceituação de capital social aplicado às redes sociais na Internet

O termo, capital social, tem ampla funcionalidade e pode ser explicado (e aplicado) em diversos campos de pesquisa, não somente nas redes sociais.

Para conseguir maior compreensão ao termo e sua aplicabilidade na web, este trabalho se baseará nos estudos e aplicação de dois autores: Coleman (1988) e Raquel Recuero (2009).

Entretanto, buscando profundidade no conhecimento, o trabalho passeará pelos ensaios de Pierre Bourdieu (sob a análise de Renato Ortiz) e sua conceituação de capital social fundamentalmente situada no campo da luta de classes, amarrada aos conceitos de poder e conflito.

Com Coleman (1988) apreenderemos a conceituação de capital social ligada diretamente à estrutura de relações, topologia de conexões em redes sociais, e não só nos atores, ou sua representações, envolvidos no processo de interação mediada por computador.

Com Recuero (2009) a partir de suas referências, delimitaremos o campo de aplicação do conceito de capital social as redes sociais na Internet. Será através de sues trabalhos que embasaremos a resposta de quais são as intenções do nosso objeto de estudo, o perfil da TV Centro América no Twitter, ao se inserir numa rede social e planejar interações mútuas com os nós conectados a sua rede.

Dominados e Dominantes / Estrutura Social / Valores de Sociabilidade

Bourdieu (1983) considera que todo agente social será sempre considerado em função das relações objetivas que regem a estruturação da sociedade global. Assim, todos estamos selecionados e dispostos para os campos de atuação em que nos relacionamos.

Bourdieu (1976: in Ortiz;1983) diz:

[…] o campo, como um espaço onde se manifestam relações de poder, se estrutura a partir da distribuição desigual de “quantum social” que determina a posição que um agente específico ocupa em seu seio. Bourdieu denomina esse quantum de capital social.

O capital Social de Bourdieu está profundamente ligado com suas idéias a respeito de classe, incentivado por uma visão marxista do autor.

Ao contrário do conceito de Coleman (que apresentaremos a frente), a aplicação de capital social para o autor francês tem ligação estrita com interesses e conquistas individuais.

Ao categorizar a qualidade de capital social do indivíduo a sua posição no espaço como Dominados e Dominantes (respectivamente aos que tem menos e mais capital social), Bourdieu foge da conceituação que buscamos, pois, nas redes sociais, teoricamente, essa característica de formação vertical se perde, dando lugar a uma estrutura horizontal e interativa.

O segundo conceito abordado no trabalho será do autor contemporâneo J.S Coleman (1988). Para Coleman (1988) existe um equilíbrio no controle dos atores de certos recursos e o interesse por outros. Em sua concepção não há relações objetivas regendo a estruturação da sociedade. Para ele os atores têm maior mobilidade pelo campo de atuação.

Diz Coleman (1988):

O capital social é definido por sua função. Não é uma entidade única, mas uma variedade de entidades, com dois elementos em comum: consistem em um aspecto das estruturas sociais, e facilitam certas ações dos atores – tanto corporações quando pessoas – dentro da estrutura. Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, fazendo com que seja possível atingir certos fins que, sem ele, não seriam possíveis de ser atingidos

Coleman posiciona o capital social nas estruturas formadas pelos atores, e não somente neles. Tratando-se de redes sociais na Internet, a profundidade da conceituação de Coleman se adapta com maior solidez ao campo, relembrando o que disse Recuero (2009) sobre pesquisa em redes, o foco está nas estruturas, atores e conexões formando um só corpo.

Coleman afirma que o capital social não está  nos atores em si, mas na sua estrutura de conexões, de como são estabelecidas suas relações. No argumento de Coleman, o capital social pode ser transformado em outras formas de capital. Um exemplo de capital social é a força dos laços nestas conexões, na confiança que se estabelece entre essas relações. O capital social para Coleman está na constituição da estrutura social, seja na vida “real” ou nas redes sociais.

Estudar os valores construídos nos ambientes das redes sociais na Internet é um dos elementos mais relevantes para a apropriação do tema. Para que se entenda o valor das conexões formatadas entre os atores, é preciso primeiro realizar a verificação do tipo de valor que é construído em cada site. E essa verificação de valores é contabilizada através do capital social.

Recuero (2009) em referência a diversos autores estruturou uma forma de categorização de tipos de valores construídos nas redes sociais e os relacionou com tipos de capital social.

Vale ressaltar que as redes sociais na Internet são discerníveis e a construção identitária de cada ator dependerá do tipo de rede, da estrutura de suas conexões e interações, em que está inserido. Diferentes sites de redes sociais têm diferentes maneiras de valorização do capital social, e os atores (sua representações) vão buscar cada valor que melhor lhe caiba e se apropriar deles segundo suas vontades. “Isso mostraria que os sites de redes sociais atuariam em planos de sociabilidade, proporcionando que um ator utilize os diversos suportes para construir redes sociais com foco em diferentes tipos de capital social” (RECUERO; 2009).

Utilizando de conceituações de três autores, dois deles já apresentados anteriormente, Recuero (2009) define assim capital social:

[…] um conjunto de recursos de um determinado grupo (recursos variados e dependentes de sua função, como afirma Coleman) que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, ainda que individualmente, e que está baseado na reciprocidade (de acordo com Putnam). Ela está embutida nas relações sociais (como explica Bourdieu) e é determinado pelo conteúdo delas ((Gyarmati & Kyte, 2004; Bertolini & Bravo, 2001). (RECUERO, Raquel; 2009, p.50))

Continue lendo

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 3]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

leia a parte 1 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 2 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!





O ciberespaço oferece objetos que rolam entre os grupos, memórias compartilhadas, hipertextos comunitários para a constituição de coletivos inteligentes (LÉVY, 1996). Todos os atores imersos nas redes sociais são habilitados para construir.

O que acontece então, quando meios de comunicação de massa passam a buscar receptores de seus conteúdos através das redes sociais? Como é feita a transição de um veículo de comunicação acostumada com a distribuição de conteúdo unidirecional ao se inserir num espaço de constituição de coletivos inteligentes, de construção coletiva?  

Em pesquisa realizada durante outubro de 2006, sete meses após o lançamento oficial do microblogging Twitter, no país de origem da ferramenta, os Estados Unidos da América, Java et al (2006) buscou avaliar o uso da ferramenta entre alguns dos mais populares usuários de até então. Em sua pesquisa, Java et al (2006) buscaram primeiramente identificar características que classificassem o microblog que era objeto de estudo como uma ferramenta de Social Network, e buscando a aplicação de seus resultados situou-se (por localização geográfica) onde o Twitter era mais acessado e utilizado.

Naquele momento, a distribuição geográfica de uso da ferramenta se concentrava nos EUA, Europa e parte da Ásia[1] (JAVA et al, 2006). Como visto no capítulo anterior, a apropriação de uso do Twitter já se descentralizou e tem hoje como um dos principais concentradores de usuários o Brasil.

Porém, pautado em estatísticas da época em que foi feita a pesquisa, o ano de 2006, Java et al. (2006) selecionaram alguns dos mais populares usuários da ferramenta situados nos EUA, e criou o que ele chamou de “coleção” de usuários que serviriam de objetos para a pesquisa. E baseado em observações da rotina de posts no microblog criou quatro categorias de avaliação de tipo de mensagem contidas no post: Conversa Rápida Diária, Conversação no Twitter, Compartilhamento de Informação/URL e Divulgação de Notícias[2] (JAVA et al., 2006).

Assim Java et al. (2006) definiram cada uma das categorias criadas para avaliação de mensagens postadas no Twitter:

Daily Chatter Most posts on Twitter talk about daily routine or what people are currently doing. This is the largest and most common user of Twitter

Conversations In Twitter, since there is no direct way for people to comment or reply to their friend’s posts, early adopters started using the @ symbol followed by a username for replies.

Sharing information/URLs About 13% of all the posts in the collection contain some URL in them.

Reporting news Many users report latest news or comment about current events on Twitter. (JAVA et al., 2006)

Fato é que, três anos após a pesquisa realizada nos EUA por Java et al. (2006), muitas das dinâmicas de relacionamento no Twitter se transformam. Por se tratar de uma ferramenta inserida em redes sociais na Internet, onde os atores conseguem ter uma liberdade de criação na busca de criar identidade dentro do espaço em que estão se relacionando, a mutação dos usos da ferramenta é um processo natural e previsto por seus programadores.

Para a avaliação do perfil da TV Centro América no Twitter, as definições feitas pelos pesquisadores Java et al. (2006) ainda são compatíveis de análises, a ela somam-se mais algumas categorias, necessárias devido a mutação natural de dinâmicas da ferramenta na busca por identificar como tem sido feito o uso do microblog pela empresa TV Centro América.

Serão criadas para avaliação, então, quatro principais categorias: Uso do Twitter, Tipo de Link, Caminho do Link,e RT. Dentre essas, as três primeiras se ramificarão em subcategorias para avaliação: Uso do Twitter – conversa rápida diária, conversação no Twitter, compartilhamento de informação/URL e divulgação de notícias; Tipo de Link – eu, outro e vizinho; Caminho do Linkrede social, site e outros. (Consoni, G.; Oikawa, E.,2009).

Estipuladas as categorias de análise quantitativas para as mensagens postadas pelo @tvca podemos iniciar a divulgação dos resultados. Antes, porém, para fins de entendimento, vamos publicar nos dois próximos posts uma explicação detalhada das características das categorias e subcategorias de avaliação e partindo das pesquisas de Wasserman e Faust (1994; in Recuero, 2009 p.24) que definem uma rede social sempre como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais), aprofundar o conhecimento no assunto.

Isso significa que uma rede social tem o foco na estrutura social que a molda, em como se dá seu surgimento, de quais são suas maneiras de interação entre os atores, e de como essa interação pode gerar fluxos de informação e trocas sociais. Partindo deste pressuposto não é possível isolar, desassociar os atores destas redes e nem suas conexões.

Até o próximo.

Referências Bibliográficas

CONSONI, G. OIKAWA, E. Modelo A REPRESENTAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE COMUNICAÇÃO NO TWITTER: ANÁLISE DOS PERFIS DE MARCELO TAS E EDNEY SOUZA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXXII, 2009, Curitiba. Disponível em < http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-1966-1.html> Acesso em 13/05/2009.

JAVA, A., SONG, X., FININ, T., & TSENG, B. Why We Twitter: Understanding Microblogging Usage and Communities. 9th WEBKDD and 1st SNA-KDD Workshop ’07. San Jose, California, USA, 2007. Disponível em <http://ebiquity.umbc.edu/get/a/publication/369.pdf>. Acesso em 09/05/2010.

LÉVY, Pierre. O que é Virtual? São Paulo – Ed. 34, 1996.

RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.


[1] Twitter is most popular in US, Europe and Asia (mainly Japan). Tokyo, New York and San Francisco are the major cities where user adoption of Twitter is high (JAVA et  al., 2006, p. 4)

[2] Tradução livre do autor para: Daily Chatter, Conversations in Twitter, Sharing Information/URL e Reporting News.