Posts Tagged ‘ tvca ’

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 5]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

leia a parte 1 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 2 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 3 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 4 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!

entender a qualidade das conexões e subsequente a isso compreender a formação das estruturas de uma rede social é preciso apreender a conceituação de capital social aplicado às redes sociais na Internet

O termo, capital social, tem ampla funcionalidade e pode ser explicado (e aplicado) em diversos campos de pesquisa, não somente nas redes sociais.

Para conseguir maior compreensão ao termo e sua aplicabilidade na web, este trabalho se baseará nos estudos e aplicação de dois autores: Coleman (1988) e Raquel Recuero (2009).

Entretanto, buscando profundidade no conhecimento, o trabalho passeará pelos ensaios de Pierre Bourdieu (sob a análise de Renato Ortiz) e sua conceituação de capital social fundamentalmente situada no campo da luta de classes, amarrada aos conceitos de poder e conflito.

Com Coleman (1988) apreenderemos a conceituação de capital social ligada diretamente à estrutura de relações, topologia de conexões em redes sociais, e não só nos atores, ou sua representações, envolvidos no processo de interação mediada por computador.

Com Recuero (2009) a partir de suas referências, delimitaremos o campo de aplicação do conceito de capital social as redes sociais na Internet. Será através de sues trabalhos que embasaremos a resposta de quais são as intenções do nosso objeto de estudo, o perfil da TV Centro América no Twitter, ao se inserir numa rede social e planejar interações mútuas com os nós conectados a sua rede.

Dominados e Dominantes / Estrutura Social / Valores de Sociabilidade

Bourdieu (1983) considera que todo agente social será sempre considerado em função das relações objetivas que regem a estruturação da sociedade global. Assim, todos estamos selecionados e dispostos para os campos de atuação em que nos relacionamos.

Bourdieu (1976: in Ortiz;1983) diz:

[…] o campo, como um espaço onde se manifestam relações de poder, se estrutura a partir da distribuição desigual de “quantum social” que determina a posição que um agente específico ocupa em seu seio. Bourdieu denomina esse quantum de capital social.

O capital Social de Bourdieu está profundamente ligado com suas idéias a respeito de classe, incentivado por uma visão marxista do autor.

Ao contrário do conceito de Coleman (que apresentaremos a frente), a aplicação de capital social para o autor francês tem ligação estrita com interesses e conquistas individuais.

Ao categorizar a qualidade de capital social do indivíduo a sua posição no espaço como Dominados e Dominantes (respectivamente aos que tem menos e mais capital social), Bourdieu foge da conceituação que buscamos, pois, nas redes sociais, teoricamente, essa característica de formação vertical se perde, dando lugar a uma estrutura horizontal e interativa.

O segundo conceito abordado no trabalho será do autor contemporâneo J.S Coleman (1988). Para Coleman (1988) existe um equilíbrio no controle dos atores de certos recursos e o interesse por outros. Em sua concepção não há relações objetivas regendo a estruturação da sociedade. Para ele os atores têm maior mobilidade pelo campo de atuação.

Diz Coleman (1988):

O capital social é definido por sua função. Não é uma entidade única, mas uma variedade de entidades, com dois elementos em comum: consistem em um aspecto das estruturas sociais, e facilitam certas ações dos atores – tanto corporações quando pessoas – dentro da estrutura. Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, fazendo com que seja possível atingir certos fins que, sem ele, não seriam possíveis de ser atingidos

Coleman posiciona o capital social nas estruturas formadas pelos atores, e não somente neles. Tratando-se de redes sociais na Internet, a profundidade da conceituação de Coleman se adapta com maior solidez ao campo, relembrando o que disse Recuero (2009) sobre pesquisa em redes, o foco está nas estruturas, atores e conexões formando um só corpo.

Coleman afirma que o capital social não está  nos atores em si, mas na sua estrutura de conexões, de como são estabelecidas suas relações. No argumento de Coleman, o capital social pode ser transformado em outras formas de capital. Um exemplo de capital social é a força dos laços nestas conexões, na confiança que se estabelece entre essas relações. O capital social para Coleman está na constituição da estrutura social, seja na vida “real” ou nas redes sociais.

Estudar os valores construídos nos ambientes das redes sociais na Internet é um dos elementos mais relevantes para a apropriação do tema. Para que se entenda o valor das conexões formatadas entre os atores, é preciso primeiro realizar a verificação do tipo de valor que é construído em cada site. E essa verificação de valores é contabilizada através do capital social.

Recuero (2009) em referência a diversos autores estruturou uma forma de categorização de tipos de valores construídos nas redes sociais e os relacionou com tipos de capital social.

Vale ressaltar que as redes sociais na Internet são discerníveis e a construção identitária de cada ator dependerá do tipo de rede, da estrutura de suas conexões e interações, em que está inserido. Diferentes sites de redes sociais têm diferentes maneiras de valorização do capital social, e os atores (sua representações) vão buscar cada valor que melhor lhe caiba e se apropriar deles segundo suas vontades. “Isso mostraria que os sites de redes sociais atuariam em planos de sociabilidade, proporcionando que um ator utilize os diversos suportes para construir redes sociais com foco em diferentes tipos de capital social” (RECUERO; 2009).

Utilizando de conceituações de três autores, dois deles já apresentados anteriormente, Recuero (2009) define assim capital social:

[…] um conjunto de recursos de um determinado grupo (recursos variados e dependentes de sua função, como afirma Coleman) que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, ainda que individualmente, e que está baseado na reciprocidade (de acordo com Putnam). Ela está embutida nas relações sociais (como explica Bourdieu) e é determinado pelo conteúdo delas ((Gyarmati & Kyte, 2004; Bertolini & Bravo, 2001). (RECUERO, Raquel; 2009, p.50))

Continue lendo

Anúncios

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 3]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

leia a parte 1 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 2 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!





O ciberespaço oferece objetos que rolam entre os grupos, memórias compartilhadas, hipertextos comunitários para a constituição de coletivos inteligentes (LÉVY, 1996). Todos os atores imersos nas redes sociais são habilitados para construir.

O que acontece então, quando meios de comunicação de massa passam a buscar receptores de seus conteúdos através das redes sociais? Como é feita a transição de um veículo de comunicação acostumada com a distribuição de conteúdo unidirecional ao se inserir num espaço de constituição de coletivos inteligentes, de construção coletiva?  

Em pesquisa realizada durante outubro de 2006, sete meses após o lançamento oficial do microblogging Twitter, no país de origem da ferramenta, os Estados Unidos da América, Java et al (2006) buscou avaliar o uso da ferramenta entre alguns dos mais populares usuários de até então. Em sua pesquisa, Java et al (2006) buscaram primeiramente identificar características que classificassem o microblog que era objeto de estudo como uma ferramenta de Social Network, e buscando a aplicação de seus resultados situou-se (por localização geográfica) onde o Twitter era mais acessado e utilizado.

Naquele momento, a distribuição geográfica de uso da ferramenta se concentrava nos EUA, Europa e parte da Ásia[1] (JAVA et al, 2006). Como visto no capítulo anterior, a apropriação de uso do Twitter já se descentralizou e tem hoje como um dos principais concentradores de usuários o Brasil.

Porém, pautado em estatísticas da época em que foi feita a pesquisa, o ano de 2006, Java et al. (2006) selecionaram alguns dos mais populares usuários da ferramenta situados nos EUA, e criou o que ele chamou de “coleção” de usuários que serviriam de objetos para a pesquisa. E baseado em observações da rotina de posts no microblog criou quatro categorias de avaliação de tipo de mensagem contidas no post: Conversa Rápida Diária, Conversação no Twitter, Compartilhamento de Informação/URL e Divulgação de Notícias[2] (JAVA et al., 2006).

Assim Java et al. (2006) definiram cada uma das categorias criadas para avaliação de mensagens postadas no Twitter:

Daily Chatter Most posts on Twitter talk about daily routine or what people are currently doing. This is the largest and most common user of Twitter

Conversations In Twitter, since there is no direct way for people to comment or reply to their friend’s posts, early adopters started using the @ symbol followed by a username for replies.

Sharing information/URLs About 13% of all the posts in the collection contain some URL in them.

Reporting news Many users report latest news or comment about current events on Twitter. (JAVA et al., 2006)

Fato é que, três anos após a pesquisa realizada nos EUA por Java et al. (2006), muitas das dinâmicas de relacionamento no Twitter se transformam. Por se tratar de uma ferramenta inserida em redes sociais na Internet, onde os atores conseguem ter uma liberdade de criação na busca de criar identidade dentro do espaço em que estão se relacionando, a mutação dos usos da ferramenta é um processo natural e previsto por seus programadores.

Para a avaliação do perfil da TV Centro América no Twitter, as definições feitas pelos pesquisadores Java et al. (2006) ainda são compatíveis de análises, a ela somam-se mais algumas categorias, necessárias devido a mutação natural de dinâmicas da ferramenta na busca por identificar como tem sido feito o uso do microblog pela empresa TV Centro América.

Serão criadas para avaliação, então, quatro principais categorias: Uso do Twitter, Tipo de Link, Caminho do Link,e RT. Dentre essas, as três primeiras se ramificarão em subcategorias para avaliação: Uso do Twitter – conversa rápida diária, conversação no Twitter, compartilhamento de informação/URL e divulgação de notícias; Tipo de Link – eu, outro e vizinho; Caminho do Linkrede social, site e outros. (Consoni, G.; Oikawa, E.,2009).

Estipuladas as categorias de análise quantitativas para as mensagens postadas pelo @tvca podemos iniciar a divulgação dos resultados. Antes, porém, para fins de entendimento, vamos publicar nos dois próximos posts uma explicação detalhada das características das categorias e subcategorias de avaliação e partindo das pesquisas de Wasserman e Faust (1994; in Recuero, 2009 p.24) que definem uma rede social sempre como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais), aprofundar o conhecimento no assunto.

Isso significa que uma rede social tem o foco na estrutura social que a molda, em como se dá seu surgimento, de quais são suas maneiras de interação entre os atores, e de como essa interação pode gerar fluxos de informação e trocas sociais. Partindo deste pressuposto não é possível isolar, desassociar os atores destas redes e nem suas conexões.

Até o próximo.

Referências Bibliográficas

CONSONI, G. OIKAWA, E. Modelo A REPRESENTAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE COMUNICAÇÃO NO TWITTER: ANÁLISE DOS PERFIS DE MARCELO TAS E EDNEY SOUZA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXXII, 2009, Curitiba. Disponível em < http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-1966-1.html> Acesso em 13/05/2009.

JAVA, A., SONG, X., FININ, T., & TSENG, B. Why We Twitter: Understanding Microblogging Usage and Communities. 9th WEBKDD and 1st SNA-KDD Workshop ’07. San Jose, California, USA, 2007. Disponível em <http://ebiquity.umbc.edu/get/a/publication/369.pdf>. Acesso em 09/05/2010.

LÉVY, Pierre. O que é Virtual? São Paulo – Ed. 34, 1996.

RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.


[1] Twitter is most popular in US, Europe and Asia (mainly Japan). Tokyo, New York and San Francisco are the major cities where user adoption of Twitter is high (JAVA et  al., 2006, p. 4)

[2] Tradução livre do autor para: Daily Chatter, Conversations in Twitter, Sharing Information/URL e Reporting News.

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 1]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

Hoje começamos a desenvolver uma nova categoria aqui no blog. Vamos chamá-la de categoria acadêmica. O objetivo desta sessão que se inicia com este post é desenvolver artigos científicos (em forma de posts sequenciais) que tenham como foco de análise o relacionamento interpessoal mediado por computador, utilizando-se como campo de estudos principal as redes sociais na Internet, área da comunicação (ciências sociais aplicadas) que me chama muito a atenção e me dá muito prazer em pesquisar.

A pesquisa focada em redes sociais na Internet é inerente ao estudo dos padrões de conexões proclamadas no ciberespaço. A busca por compreender como se dá a mediação por computador, de atores inseridos em redes sociais, começa na delimitação de quem são os “interagentes” que compõem a estrutura destas redes e finaliza na possibilidade de visualização da topologia resultante da interação entre os atores.

“Aqui [ciberespaço] a circulação de informações não obedece à hierarquia da árvore (um-todos), e sim a multiplicidade do rizoma (todos-todos)”. (Lemos, 2008)

Com atores posicionados no ciberespaço, e com as dinâmicas de estruturação de uma rede analisadas, permite-se que a pesquisa em redes sociais na Internet alcance o último estágio de apreciação deste modelo de relacionamento: quais são os valores pretendidos pelos que buscam a interação possibilitada pela rede, e a partir da visualização das alternativas de conexões das diferentes redes existentes no ciberespaço, como essas estruturas valorizam seus usuários.

“[…] a cibercultura (digital, imediata, multimodal, rizomática) requer a transversalidade, a descentralização, a interatividade […] tratando de fluxos de informação bidirecionais, imediatos e planetários, sem uma homogenização dos sentidos, potencializando vozes e visões diferenciadas”. (Lemos, 2008)

Partindo da análise feita por André Lemos vamos analisar comportamentos de atores (populares ou não) inseridos em grandes redes sociais na Internet (Twitter, Facebook, Orkut, Flickr, Youtube…). A intenção é pesquisar quais tem sido as principais dinâmicas utilizadas pelos atores de redes sociais na Internet, e qual tem sido o resultado alcançado.

O primeiro objeto que será pesquisado nesta nova categoria do blog será o perfil no Twitter da empresa de comunicação pertencente ao sistema matogrossense de televisão, a TV Centro América, transmissora da Rede Globo de Comunicação no Estado de Mato Grosso, e representado pelo símbolo @tvca.

No inicio do próximo do post explicaremos o porque da escolha do perfil @tvca e já daremos inicio a analise que terá como base metodológica os estudos realizados por Java et al. em 2006.

Até a próxima.

Referência Bibliográfica

LEMOS, André. Cibercultura. Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea. Ed. Sulina, Porto Alegre, 295 p., 4a Edição, 2008.

JAVA, A., SONG, X., FININ, T., & TSENG, B. Why We Twitter: Understanding Microblogging Usage and Communities. 9th WEBKDD and 1st SNA-KDD Workshop ’07. San Jose, California, USA, 2007. Disponível em <http://ebiquity.umbc.edu/get/a/publication/369.pdf&gt;. Acesso em 09/05/2010.