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Privacidade é coisa de Eremita.

Inspirado pela minha apresentação realizada na última quarta feira durante o Intercom Nordeste (aliás, ao qual só tenho elogios – organizado e com ampla participação discente e docente) resolvi estender a mão a esse morimbundo blog e retirá-lo da sarjeta.

Durante minha fala, que fiz ao lado de Talyta Singer, percebi que “privacidade” ainda é um debate polêmico quando o assunto é Web. Levei para o congresso o tema “Filter Bubble” e fiz minhas considerações sobre privacidade, restrições e sistemas motores de busca. Os colegas se interessaram pelo assunto e uma dúvida recorrente, tanto depois da apresentação como nos encontros de corredor, era como escapar do tal “Filtro”. Para estes novos amigos encaminho esse link – aqui!. Clicando ali você irá acessar o site do livro The Filter Bubble, de Eli Pariser, especificamente na área em que o autos dá 10 dicas de como driblar as pré-definições do Google (e outros sistemas como Bing ou YouTube).

A junção dos temas Internet e privacidade cria um dos pontos mais controversos atualmente tanto para academia quanto para o mercado. E é assim no mundo todo. Prova disso é a quantidade de eventos e debates acontecendo só neste mês por todos os lados com essa temática.

Há dez dias, entre 9 e 10 de junho, aconteceu o Simpósio Hyper-Public, na Harvard University. E entre 14 e 16 deste mês, e dessa vez na Georgetown University Law Center, em Washington, D.C., aconteceu a A 21º conferência anual “Computers, Freedom and Privacy” (um detalhes, ambos os eventos contaram com a presença da pesquisadora Danah Boyd. Vale a pena conhece-la).s

No Brasil podemos visualizar a amplitude da discussão a partir do debate público postado no CulturaDigital.br sobre Proteção de Dados Pessoais. Outra dica e acompanhar as discussões pelas tags #dadospessoais #privacidade e #privacy.

Além de discussões e debates sobre as fronteiras da privacidade online, existem também instituições preocupadas em denunciar filtros e vigilâncias na web e assim defender usuário. Dois bons exemplos são a OpenNet Initiative e a Electronic Frontier Foundation.

E se você é como o Mark e concorda que a “era da privacidade acabou”, tudo bem. Tendo a concordar com vocês dois. Mas se você discorda ainda há algumas alternativas. O Projeto Tor é uma delas: através de uma rede de roteadores anônimos o Tor tem como objetivo proteger quem acessa a Internet contra a análise de tráfego e escapar da vigilância dos servidores. Uma boa opção para jornalistas conspiratórios não deixarem rastros e nem revelarem suas fontes.Outra saída é você cancelar suas contas no Facebook e Twitter e ter como única diversão na web ser colaborador de fóruns anônimos como indomável /b/ do 4chan (clicar aqui é por sua conta e risco).

Mas prepare-se para te chamarem de ermitão e chato.

(-:

#botequimtuitajoaquim

Bem vindo ao #botequimtuitajoaquim. A entrada custa um mísero Tuite.

mê vê um The National, com um pouco de Bloodbuzz Ohio, por favor! Então…

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

[vitor torres teixeira – congressista]

Todos os artigos apresentados nos DT’s da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, estão disponíveis para download. O evento que aconteceu em Caxias do Sul entre os dias 3 e 6 deste mês é o maior congresso brasileiro de pesquisas temáticas em comunicação.

Ao todos são 8 DT’s que se subdividem em 29 Grupos de Pesquisas. Este ano foi minha terceira participação na rede Intercom, mais uma vez no no DT Multimidia, que se divide em dois grupos de pesquisas: #GPCiber e #GPConvergências.

Durante os quatro dias que estive em Caxias dividi meu tempo entre os Blocos H e F da UCS, blocos onde os trabalhos dos dois GP’s do DT Multimidia foram apresentados.

Pesquisadores do grupo MID – Mídias Interativas Digitais, do qual faço parte, apresentaram 4 artigos. Talyta Singer e Kely Almeida fizeram sua leitura sobre como é o processo de produção e distribuição dos cursos oferecidos a distância pela UFMT. Mauricio Falchetti apresentou dois, Videos Interativos e Fan Films eram seus temas. Eu apresentei no dia 6 minhas conclusões sobre adaptações de uso e dinâmicas em sites de redes sociais por veículos de comunicação. Nossa orientadora Andrea Fernandez foi uma das coordenadoras do GP de Conteúdos Digitais e Convergências Tecnologicas.

É interessante conferir todos os papers. Vou postar aqui minha lista de recomendações. São artigos que li ou assisti seus autores os apresentando.

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A ideia de hegemonia na cibercultura – Edilson Cazeloto (Universidade Paulista) – clique!

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Considerações sobre o PRO-AM como estratégia Jornalística no Twitter – Vivian de Carvalho Belochio (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); Gabriela Zago (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – clique!

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Da mediacão do Amar. Rascunho sobre sentimentos nas relacões sociais online – Jack de Castro Holmer (Faculdade Internacional de Curitiba); Georia Natal (Universidade Tuiuti do Paraná); Thiago Falcão (Universidade Federal da Bahia) – clique!

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Reflexões sobre o projeto Locast como experimento de plataforma móvel social – Eduardo Campos Pellanda (PUCRS) – clique!

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Propaganda na TV Digital: Usos e Demanda – Vários Autores – Clique!

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O Hoax e os desafios jornalísticos no trato da informação – Lucina Reitenbach Viana (Universidade Tuiuti do Paraná) – clique!

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Padrão HTML 5: Possíveis Efeitos no Jornalismo Digital – Iuri Lammel Marques (Universidade Federal de Santa Maria) – clique!

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Do papel ao iPad, livros e revistas publicadas em bibliotecas 2.0 – André Fagundes Pase (Famecos PUCRS) – clique!

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Gerenciamento de Impressões Pessoais através de Aplicativos Sociais: Uma Proposta de Análise – José Carlos Santos Ribeiro (Universidade Federal da Bahia); Thiago Pereira Falcão (Universidade Federal da Bahia); Tarcízio Roberto da Silva (Universidade Federal da Bahia) – clique!

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A Intercom do ano que vem já tem data e local definidos: de 3 a 6 de setembro em Recife – PE. Vamos estudar?

Te vejo lá. :D

Crie redes, não perfis.

[vitor torres teixeira – analista de redes sociais na Intenet]





Pera, pera, pera!
Tem alguma coisa muito errada!


Os últimos dias tem deixado minhas identidades na web um tanto quanto pertubadas. Tenho tido aquela sensação de que tem muita gente dentro da cozinha. E todo mundo acha que entende mais de tempero do que o outro. Inclusive eu. E desse jeito a comida nunca dá certo.


Deixe me explicar.


Falar sobre política e uso de dinâmicas em redes sociais na Internet nunca foi minha intenção primária. Tenho paixão pelo assunto “comunicação mediada pelo computador”, sempre com foco maior nas pessoas do que na tecnologia (apesar dos elementos serem complementares).


Mesmo assim, percebi que quando tocava no assunto, muita gente se envolvia, e vi na abordagem um espaço para tentar alcançar os valores de capital social cognitivos como autoridade e reputação. Era um bom caminho para minha construção identitária.


Mas a coisa cresceu mais do que eu esperava. E algo que me amedrontava está acontecendo muito rápido. Tem muita gente chegando de última hora, e estão fazendo suas abordagens pelo lado errado.


Primeira coisa – o básico: candidatos e assessores, a Internet, não se resume aos SITES de redes sociais.


Quando uma rede de computadores consegue conectar uma rede de pessoas, temos uma rede social. Isso significa que, qualquer ação proposta dentro da Internet caracteriza uma rede social. Essa interação está na essência da Web.


Mas o que me parece, é que os candidatos (e seus assessores, sempre) tem acreditado que fazer campanha na Internet é criar perfis em SITES de redes sociais, falar um monte (agora tá na moda dizer que quem atualiza é o assessor – coisa horrivel, como diria um amigo meu), seguir as mesmas pessoas com quem já interagem fora da internet, discutir assuntos com correligionários no twitter e achar que todo mundo que os seguem, se os seguem, é porque gostam daquilo que estão lendo…


(Amigo, a maioria das pessoas seguem centenas de outras pessoas e podem muito facilmente passar reto pela sua mensagem… Não preciso te dar um unfollow, porque é meio sem educação (rs), mas posso te ignorar tranquilamente… E se começar a me encher o saco, continuo não te dando um unfollow (rs), mas queimo seu filme pra todos os meu amigos.)


Segunda coisa:  Autoridade em Sites de Redes de Sociais não se mede por API´s como twitterrank, twitterlyzer ou twiterescambauaquatro. A quantidade de RT que dou, ou que dão para mim, não mede minha competência, mede, no máximo, o quanto eu consigo falar sem parar e o quanto interajo com pessoas que falam mais do que eu. Achar que essas ferramentas servem para alguma coisa é com certeza idéia de publicitártio (rs).


Por exemplo, para uma dessas ferramentas, o TwitteRank, a Sabrina Sato (@SabrinaSatoReal) é muito, muito mais influente no twitter do que o Pierre Levy (@plevy)…. ai meu deus….


O foco deve estar sempre no conteúdo! E seu perfil num site de rede social só serve para expor todas as suas outras atividades na rede. Postar 300 tweets num dia e não ter um blog, por exemplo, eu nem preciso comentar…


Terceira coisa: Aproveite a rede, a banda larga, e aproxime pessoas que te apoiam e que fisicamente não podem estar perto. Crie sua rede! Faça com que pessoas entrem na sua rede, produzam conteúdo, levem informações para seus perfis em sites de redes sociais, que trabalhem na campanha de rua por voluntariado. Exponha essa rede, deixe que as pessoas vejam como há muitas outras pessoas pensando junto, criando junto, pruduzido coletivamente… Todo mundo quer fazer parte do que é coletivo e funciona.


…E o que está acontecendo é que nenhum candidato matogrossense conseguiu, e nem vai conseguir, criar uma rede social.


Pior de tudo é saber que nós, brasileiros, somos os maiores consumidores mundiais de Sites de Redes Sociais.


Esses sites tem como principal caracteristica a controle de interação. Só podemos caminhar pelas estradas que os sistemas criaram. A limitação de atividades faz com que a produção coletiva fique ameaçada. Assim como a inclusão massiva de grandes veículos de comunicação, a criação de pequenos veiculos que se iludem com a fantasia de que estes espaços são horizontais e repetem velhas formulas comunicacionais e, agora, a inserção de assessores e comunicadores sem estudo e que encaram a Internet como um gigantesco tutorial ambulante que só se aprende na prática, são uma ameaça constante ao ciberespaço que tinha em sua essencia a reciprocidade e a sinergia.


Quarta coisa: A terceira coisa não vai acontecer.


Quinta coisa: Nós estamos “encaretando” a Internet….


Sexta coisa: Sim, eu tô falando de vc….


Redes Sociais na Internet e as eleições 2010

[vitor torres teixera – agência laboratório]

 

 

Criei um perfil no Twitter para acompanhar as eleições matogrossenses nas redes sociais na Internet. O @mt_politica nasceu com a intenção de fazer análises sobre usos e dinâmicas de redes sociais por parte de nossos candidatos e apoiadores.

A questão é que, dentro dos espaços de campanha eleitoral no Mato Grosso, muito se fala sobre as eleições na Internet.  E muito do que é dito, percebo que é construído sem informação ou conhecimento aprofundado de caso. Fato é que em Mato Grosso nossos políticos não são grandes usuários de redes sociais, e me parece que pouco se importaram em estudar a rede antes de criarem suas identidades nela.

Porém, é correto afirmar que a Internet é intuitiva por essência na sua maneira de circulação, principalmente nas redes sociais. Mas, entrar na rede com comportamentos viciados de sistemas de distribuição hierárquicos pode trazer resultados contrários aos esperados pelos candidatos a cargos públicos no estado.

Digo isso, pois em minhas primeiras análises, ficou claro que os candidatos tem se comportado na rede (principalmente no Twitter) como se estivessem em um palanque com um microfone nas mãos, falando alto e se posicionando como centro das atenções. Isso está errado. 

Estar nas redes sociais na Internet é a oportunidade dos candidatos de estarem cara-a-cara com todos seus eleitores (ou parte deles, é claro). É poder atender a perguntas e sanar dúvidas, criar intimidade e se desfazer da imagem a tanto tempo estigmatizada dos políticos brasileiros, de distantes, inalcançáveis. É criar interesse por assuntos públicos, provocar em nossa juventude usuária assídua da Internet o interesse pela política.

Aqui, o espaço é para conversação e construção coletiva de informação. A quantidade ínfima de replys e principalmente links (nem vou entrar no mérito de quase não usarem outras redes sociais e linkar essas redes) enviados pelos três principais candidatos ao cargo de governador – @silvalbarbosa @mauromendesmt e @wilsonsantosws, comprova que eles provavelmente acham que estão falando para muitos e que as repostas não são imediatas (como se estivem na TV, por exemplo).

Outra análise fácil é sobre o tipo de assunto que os candidatos têm preferência na hora de suas postagens: falar sobre onde estão e o que vão fazer naquele dia (Ex 1, 2 e 3) ou tratar de assuntos genéricos. Alguém poderia avisá-los que na Internet a cauda é longa, e nossos posts precisam ter caráter mais segmentado para conseguirmos criar autoridade sobre o que estamos falando. 

Por exemplo: Quando um candidato for falar de educação numa rede social, não precisa postar informações sobre quantas escolas vai construir, ou sobre aumento de salários que vai providenciar. Para isso existe a TV, o rádio, o impresso. Fale sobre assunto que remetam a educação à tecnologia, fale sobre suas propostas de educação a distância, sobre sua opinião em relação a propriedade intelectual acadêmica.

Por que?

Simples: são assuntos que poderão trazer maior interesse para os formadores de opinião da rede, como blogueiros e twiteiros, os alfas das redes sociais. São assuntos que poderão circular com maior facilidade pela rede e serão distribuídos por aqueles que têm reputação em assuntos de cibersocialização. E são informações que serão repassadas por pessoas que já tem uma identidade construída e consolidada na rede.

Para finalizar, faço uma afirmação bombástica (rs): Internet, não vai ganhar eleição para ninguém!

Então, por que perder tempo e gastar força de trabalho nela? Já que podemos usar, vamos usar da melhor maneira. Vamos participar deste processo tentando inovar e não repetir fórmulas de comunicação. E, principalmente, a cibercultura já está aqui! Já é fato! Vai crescer cada vez mais!

Então, espero que nossos candidatos venham para ficar, que suas construções identitárias nas redes sociais na Internet feitas, aparentemente, para a campanha, façam parte de seus planos de governo, que tenham uma estratégia de continuidade. E que outubro não seja o ponto de chegada.

né?

Analista de Redes Sociais na Internet [parte 5]

[vitor torres teixeira – agência laboratório]

leia a parte 1 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 2 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 3 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!
leia a parte 4 do post-artigo “Analista de Redes Sociais na Internet” – aqui!

entender a qualidade das conexões e subsequente a isso compreender a formação das estruturas de uma rede social é preciso apreender a conceituação de capital social aplicado às redes sociais na Internet

O termo, capital social, tem ampla funcionalidade e pode ser explicado (e aplicado) em diversos campos de pesquisa, não somente nas redes sociais.

Para conseguir maior compreensão ao termo e sua aplicabilidade na web, este trabalho se baseará nos estudos e aplicação de dois autores: Coleman (1988) e Raquel Recuero (2009).

Entretanto, buscando profundidade no conhecimento, o trabalho passeará pelos ensaios de Pierre Bourdieu (sob a análise de Renato Ortiz) e sua conceituação de capital social fundamentalmente situada no campo da luta de classes, amarrada aos conceitos de poder e conflito.

Com Coleman (1988) apreenderemos a conceituação de capital social ligada diretamente à estrutura de relações, topologia de conexões em redes sociais, e não só nos atores, ou sua representações, envolvidos no processo de interação mediada por computador.

Com Recuero (2009) a partir de suas referências, delimitaremos o campo de aplicação do conceito de capital social as redes sociais na Internet. Será através de sues trabalhos que embasaremos a resposta de quais são as intenções do nosso objeto de estudo, o perfil da TV Centro América no Twitter, ao se inserir numa rede social e planejar interações mútuas com os nós conectados a sua rede.

Dominados e Dominantes / Estrutura Social / Valores de Sociabilidade

Bourdieu (1983) considera que todo agente social será sempre considerado em função das relações objetivas que regem a estruturação da sociedade global. Assim, todos estamos selecionados e dispostos para os campos de atuação em que nos relacionamos.

Bourdieu (1976: in Ortiz;1983) diz:

[…] o campo, como um espaço onde se manifestam relações de poder, se estrutura a partir da distribuição desigual de “quantum social” que determina a posição que um agente específico ocupa em seu seio. Bourdieu denomina esse quantum de capital social.

O capital Social de Bourdieu está profundamente ligado com suas idéias a respeito de classe, incentivado por uma visão marxista do autor.

Ao contrário do conceito de Coleman (que apresentaremos a frente), a aplicação de capital social para o autor francês tem ligação estrita com interesses e conquistas individuais.

Ao categorizar a qualidade de capital social do indivíduo a sua posição no espaço como Dominados e Dominantes (respectivamente aos que tem menos e mais capital social), Bourdieu foge da conceituação que buscamos, pois, nas redes sociais, teoricamente, essa característica de formação vertical se perde, dando lugar a uma estrutura horizontal e interativa.

O segundo conceito abordado no trabalho será do autor contemporâneo J.S Coleman (1988). Para Coleman (1988) existe um equilíbrio no controle dos atores de certos recursos e o interesse por outros. Em sua concepção não há relações objetivas regendo a estruturação da sociedade. Para ele os atores têm maior mobilidade pelo campo de atuação.

Diz Coleman (1988):

O capital social é definido por sua função. Não é uma entidade única, mas uma variedade de entidades, com dois elementos em comum: consistem em um aspecto das estruturas sociais, e facilitam certas ações dos atores – tanto corporações quando pessoas – dentro da estrutura. Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, fazendo com que seja possível atingir certos fins que, sem ele, não seriam possíveis de ser atingidos

Coleman posiciona o capital social nas estruturas formadas pelos atores, e não somente neles. Tratando-se de redes sociais na Internet, a profundidade da conceituação de Coleman se adapta com maior solidez ao campo, relembrando o que disse Recuero (2009) sobre pesquisa em redes, o foco está nas estruturas, atores e conexões formando um só corpo.

Coleman afirma que o capital social não está  nos atores em si, mas na sua estrutura de conexões, de como são estabelecidas suas relações. No argumento de Coleman, o capital social pode ser transformado em outras formas de capital. Um exemplo de capital social é a força dos laços nestas conexões, na confiança que se estabelece entre essas relações. O capital social para Coleman está na constituição da estrutura social, seja na vida “real” ou nas redes sociais.

Estudar os valores construídos nos ambientes das redes sociais na Internet é um dos elementos mais relevantes para a apropriação do tema. Para que se entenda o valor das conexões formatadas entre os atores, é preciso primeiro realizar a verificação do tipo de valor que é construído em cada site. E essa verificação de valores é contabilizada através do capital social.

Recuero (2009) em referência a diversos autores estruturou uma forma de categorização de tipos de valores construídos nas redes sociais e os relacionou com tipos de capital social.

Vale ressaltar que as redes sociais na Internet são discerníveis e a construção identitária de cada ator dependerá do tipo de rede, da estrutura de suas conexões e interações, em que está inserido. Diferentes sites de redes sociais têm diferentes maneiras de valorização do capital social, e os atores (sua representações) vão buscar cada valor que melhor lhe caiba e se apropriar deles segundo suas vontades. “Isso mostraria que os sites de redes sociais atuariam em planos de sociabilidade, proporcionando que um ator utilize os diversos suportes para construir redes sociais com foco em diferentes tipos de capital social” (RECUERO; 2009).

Utilizando de conceituações de três autores, dois deles já apresentados anteriormente, Recuero (2009) define assim capital social:

[…] um conjunto de recursos de um determinado grupo (recursos variados e dependentes de sua função, como afirma Coleman) que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, ainda que individualmente, e que está baseado na reciprocidade (de acordo com Putnam). Ela está embutida nas relações sociais (como explica Bourdieu) e é determinado pelo conteúdo delas ((Gyarmati & Kyte, 2004; Bertolini & Bravo, 2001). (RECUERO, Raquel; 2009, p.50))

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